PARA 55% DOS EMPRESÁRIOS, OFERTA DE VAGAS VAI AUMENTAR COM A REGULAMENTAÇÃO DO TRABALHO INTERMITENTE

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54% dos empresários dos ramos do comércio e de serviços apoiam a medida e um terço acredita que novo modelo de contratações vai reduzir a informalidade; 61% veem a terceirização da mão de obra como algo positivo

Modernizar a legislação trabalhista, permitindo que as empresas possam contratar e remunerar funcionários por horas trabalhadas ou por produtividade – além do modelo atual de jornada de trabalho com horas fixas -, é uma medida que pode ampliar a oferta de empregos e ajudar o país a se recuperar da crise. É o que pensam 54,6% dos empresários de todos os portes que atuam no comércio e no ramo de serviços consultados pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Apenas 10,0% dos empresários acreditam que haverá redução na quantidade de postos de trabalho com a nova medida e 25,4% imaginam que a mudança não provocará alterações nesse sentido.

A pesquisa, que ouviu 822 empresários de todos os portes e dos segmentos do comércio e de serviços nas 27 capitais e no interior do Brasil, revela ainda que seis em cada dez (62,5%) empresários acreditam que a modalidade do chamado 'trabalho intermitente' poderá impulsionar a economia brasileira diante do atual quadro de dificuldades e aumento no corte de vagas. De acordo com o levantamento, quase um terço (32,5%) dos empresários acredita que a informalidade poderá ser reduzida, caso a medida seja regulamentada no Brasil.

"Num momento em que a volta do crescimento ocupa o centro da preocupação nacional, é oportuno o debate sobre alguns dos pleitos que poderão dar mais dinamismo à economia brasileira, como a modernização do mercado de trabalho", afirma o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, que avalia a atividade de empreender como algo que enfrenta diversos obstáculos no Brasil. "Assim como o peso da carga tributária torna o país menos competitivo e a insegurança jurídica restringe o crédito e o investimento, a rigidez de uma legislação trabalhista como a brasileira limita a oferta de trabalho. Precisamos superar esse entrave se quisermos enfrentar os problemas de produtividade no Brasil", explica Pinheiro.

O chamado 'trabalho intermitente' é uma nova modalidade de contrato de trabalho que adota o regime de hora móvel em lugar do regime de hora fixa, mas preserva os direitos trabalhistas proporcionais aos ganhos. Nesse modelo, a empresa tem a possibilidade de contratar funcionários para trabalhar em dias ou horas alternadas, pagando pela efetiva contraprestação de serviços.

CONFIANÇA DO COMÉRCIO CRESCE QUASE 15% EM SETEMBRO

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Índice mostra retomada da confiança dos empresários do setor. Veja em quais indicadores a confiança subiu mais no mês, segundo a CNC.

A confiança do comércio cresceu 14,8% em setembro, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo indicador da CNC (Confederação Nacional do Comércio). Na comparação com agosto, houve alta de 1,5%.

Com o crescimento, o índice chegou a 93,5 pontos. O índice varia de 0 a 200 pontos, em que quanto mais próximo de zero, menor é a confiança.

O crescimento da confiança do setor, embora positivo, não revela uma retomada nas vendas, segundo explica Izis Ferreira, economista da Confederação. "Ainda não é possível afirmar que a recuperação do comércio ocorrerá em breve. O ritmo da queda nas vendas vem diminuindo, mas ainda não indica um aquecimento do varejo. As condições do mercado de trabalho e o crédito caro ainda são um entrave para a retomada do consumo e consequentemente das vendas", diz.

Segundo a confederação, todos os componentes que fazem parte do índice apresentaram alta, em ambas as bases de comparação.

EMPRÉSTIMOS E CARTÕES DE LOJA SÃO OS PRINCIPAIS VILÕES DA INADIMPLÊNCIA

Inadimplentes estão assumindo menos compromissos financeiros na comparação com 2015; contas de primeira necessidade e financiamento da casa própria são as que os inadimplentes mais pagam em dia.

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Uma pesquisa nacional realizada apenas com consumidores inadimplentes pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) revela que as dívidas bancárias continuam sendo as principais causadoras do 'nome sujo'. De acordo com o levantamento, sete em cada dez (76,1%) entrevistados que contrataram algum empréstimo estão inadimplentes porque não pagaram as parcelas em dia. As compras feitas no cartão de loja aparecem logo em seguida, deixando 73,1% dos seus usuários com o nome no cadastro de devedores. Os percentuais se mantiveram estáveis na comparação com o ano passado (74,5% para empréstimos e 74,6% para cartões de loja), mas apresentaram alta na comparação com 2014, período em que a crise econômica ainda não havia atingido o seu auge.

Pagamentos atrasados no crediário ou carnê (62,5%), as parcelas pendentes no cartão de crédito (62,1%) e o cheque especial (46,9%) vêm em seguida como as modalidades de crédito que mais levaram os entrevistados à inadimplência. Essas duas últimas modalidades mostraram queda significativa frente a 2015, quando as porcentagens haviam sido de 73,6% para o cartão de crédito e de 67,8% para o cheque especial.

"No atual momento de incertezas na economia é importante que os consumidores sejam conservadores com o bolso e tenham alguns cuidados na hora de adquirir novas dívidas. Em especial se as dívidas são no cartão de crédito ou no cheque especial, já que os juros cobrados nestas modalidades são os mais caros do mercado. Em alguns casos, podem ultrapassar até 450% ao ano", alerta a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

15% atrasam contas de telefone e 9% mensalidades escolares

O estudo ainda revela que não são apenas as dívidas bancárias levam os consumidores a lista de inadimplentes. Muitos estão com restrição ao crédito porque deixaram de pagar em dia contas com algum tipo de serviço não necessariamente ligado aos bancos. Neste caso, a principal conta responsável por deixar os consumidores com o nome sujo é a de telefone fixo e celular, citada por 14,7% dos entrevistados que possuem esse tipo de compromisso (em 2015 o percentual de atrasos era de 21,7%). Em segundo lugar aparecem as pendências com mensalidades escolares, citadas por 9,1% dos entrevistados (em 2015 eram 16,0%). Atrasos junto às operadoras de TV por assinatura (7,1%), plano de saúde (6,8%), contas de água e luz (6,1%), aluguel (2,2%) e mensalidade do condomínio (2,2%) completam o ranking dos 'vilões da inadimplência', quando se tratam das dívidas não bancárias.

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